25 de Dezembro de 2022 - Rodrigo Cézar Limeira - (781 acessos) Comentário

Em vídeo: Rodrigo Cézar analisa as chances de retorno do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2023, assistam

O fenômeno climático e oceânico El Niño caracteriza-se pelo aquecimento acima do normal das águas superficiais na região do Niño 3.4, a qual fica bem no centro do Oceano Pacífico Equatorial. Essa região do Pacífico influencia diretamente na distribuição dos ventos em altitude sobre várias partes do mundo, incluindo as regiões Norte, Nordeste e Sul do Brasil.

 

Para que um episódio do fenômeno climático e oceânico El Niño se configure e assim influencie o clima global, é necessário que o desvio de temperatura na região central do Pacífico Equatorial, região do Niño 3.4, seja maior ou igual a 0,5ºC acima da média por no mínimo 03 meses consecutivos, a partir daí o fenômeno está configurado ou formado, e passa a influenciar o clima em várias partes do mundo.

 

O El Niño mais forte de todos os tempos foi o de 1998, no mês de janeiro daquele ano, a região do Niño 3.4 estava cerca de 4,8ºC acima da média, esse fortíssimo El Niño coincidiu com a maior seca da História do Semiárido do Nordeste Brasileiro. Naquele ano dois fatores colaboraram para a seca devastadora ocorrida na citada região:1) O próprio El Niño, o qual dá origem a uma alta pressão persistente sobre boa parte do Semiárido do Nordeste, fato que inibe a formação de nuvens de chuvas sobre a região, durante grande parte da estação chuvosa. 2) O aquecimento bem abaixo do normal das águas superficiais do Oceano Atlântico Sul na altura da costa leste do Nordeste.

 

Os efeitos do El Niño são aproximadamente opostos aos da La Niña, sendo que o fenômeno dura em média entre 12 e 18 meses. Na análise do modelo acoplado oceano-atmosfera IRI da Universidade de Columbia dos Estados Unidos, é possível ver que em duas atualizações consecutivas recentes, a tendência de El Niño sobe consideravelmente e a de La Niña diminui, indicando que está ocorrendo possivelmente ressurgência de águas mais quentes que o normal, na região do Niño 3.4, indicando que é bem provável que no segundo semestre de 2023, o fenômeno climático e oceânico El Niño esteja configurado, ou seja, influenciando o clima global.

 

Créditos: Imagem: El Niño - CPTEC/INPE

 

Gráficos: COLUMBIA CLIMATE SCHOOL INTERNATIONAL RESEARCH INSTITUTE FOR CLIMATE AND SOCIETY.

 

 

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28 de Janeiro de 2023

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